9 de outubro de 2020

Captain Tsubasa: New Kick Off

Uma série que teve muitos jogos ao longos dos seus varios anos, e que fez muito sucesso no pais no final dos anos 90 e inicio dos anos 2000, mais conhecida no Brasil como Super Campeões, Captain Tsubasa foi responsável por inspirar varias pessoas no Japão e ao redor do mundo a entrar no esporte quando ainda eram crianças, e aqui fica minha "homenagem" a uma franquia que está viva até hoje. Aproveitando o lançamento no mês passado de Captain Tsubasa: Rise of the New Champions vamos relembrar um título que mostra o mesmo arco de história, Captain Tsubasa: New Kick Off saiu para Nintendo DS em 20 de Maio de 2010 pela Konami em comemoração aos 30 anos de franquia. Então seja pela nostalgia ou para descobrir o mundos dos RPGs esportivos, esteja 100% convidado/a a me acompanhar hoje.


Enredo

A história de New Kick Off mostra o ultimo ano de Tsubasa com seus colegas do Nankatsu, indo rumo ao tri campeonato nacional, enfrentando assim varias escolas rivais durante o percurso e reencontrando amigos e rivais durante o caminho, após a final do campeonato podemos seguir com a seleção japonesa durante a copa do mundo sub-16 e acompanhar a grande caminhada da geração de ouro do Japão. Se não fosse conteúdo suficiente reviver a fase mais famosa do anime mundo a fora, é possível passar pela experiencia do "e se" com o game, mas o que isso quer dizer?
É possível ver o campeonato pela ótica da escola Toho de Kojiro Hyuga e Takeshi Sawada, assim como a escola Musashi de Jun Misugi e também o colégio Furano liderado por Hikaru Matsuyama, assim é possível ver o desenvolvimento de vários personagens conhecidos da série. Também é possivel criar um personagem e montar uma escalação com jogadores importantes que aparecem em todas as outras histórias, no final o jogo te da a oportunidade de enfrentar um "dream team" montado pelo próprio game.


Gráficos

Os gráficos em 3D não são exatamente o forte do Nintendo DS e neste jogo muito menos, infelizmente pode ser meio dificil encarar este jogo de 10 anos atrás nos dias de hoje, porém como só aparecem nos movimentos especiais, tudo acaba sendo bem feito e funcionam bem considerando as limitações da época e do console em si, alguns são especialmente bonitos como no chute No Fire de Schneider e no New Tiger Shot de Hyuga. Em todos os outros momentos os gráficos se mantém em modelos 3D muito rudimentares e a história é mostrada através de imagens estáticas e texto corrido, o que é bem comum dentro da plataforma. 


Jogabilidade 

O que temos aqui é a teoria e regras básicas do futebol aplicados ao RPG, os jogadores tem status que podem ser evoluídos conforme jogamos e habilidades especiais para serem usadas, a unica coisa feita em tempo real no jogo é a movimentação dos personagens, tanto no ataque quanto na defesa, qualquer outra ação que for tomada além desta é com o game parado, apertamos um botão e decidimos se vamos passar a bola ou chutar, se o personagem tiver movimentos especiais para isso também é preciso selecionar se vamos usar os especiais ou optar pela versão normal. 
Quando os confrontos entre jogadores acontecem 4 tipos de movimentos podem ser tomados, tanto na defesa quanto no ataque, na defesa são eles Entrada (mais efetiva cotra dribles) , Interceptação (mais efetiva contra passes), Bloqueio (mais efetivo conta chutes) e existe a opção de não fazer nada. No ataque as opções são as seguintes: Drible (mais efetivo contra interceptação), Passe (mais efetivo contra entrada), Chute (mais efetivo contra entrada) e novamente a opção de não fazer nada.
Aqui vem uma parte importante, ali em cima foi dito que existe a opção de não fazer nada e ela é muito importante, mas porque ? Bom, para concluir todas as partidas com nota S é necessário reproduzir vários eventos que acontecem na série japonesa, como o jogador X enfrentar o jogador Y, com isso a opção de deixar com que a bola seja "roubada" de você mostra seu real valor, ela é mais que fundamental para poder desbloquear todos os times e jogadores, além disso com a nota S em todas as partidas é possível usar o treinador e grande inspiração de Oliver Tsubasa, o grande Roberto Hongo. 


Considerações Finais

Claramente eu sou e sempre serei o publico alvo deste titulo, ele é uma clara homenagem e quase um presente para quem é um fã antigo de Captain Tsubasa, ou como chamamos aqui no Brasil, Super campeões. Porém, o meu carinho com a série não me impede de reconhecer que não é uma obra prima, muito longe disso até, mas se você é um grande aficionado por RPGs e quer algo fora da caixa para experimentar, esta é uma boa experiencia, se você é ou era fã da franquia Super Campeões este também é um jogo para você, fora isto é claramente um titulo dispensável, apesar de todo o meu carinho por ele. 
Ainda falando de RPGs sobre futebol, pretendo trazer matérias futuras sobre Captain Tsubasa: Rise of the New Champions e também sobre a franquia Inazuma Eleven, mas em apenas 2 textos, um sobre a série clássica de NDS e um sobre a série GO de N3DS.

2 de outubro de 2020

A História dos Jogos de Luta

Fighting games foi um gênero super popular nos fliperamas, que alavancou varias empresas ao longos dos anos e que se envolveu em uma das maiores polêmicas do mundo dos vídeo games, os jogos de luta foram uma parte fundamental para o desenvolvimento da industria e principalmente para os E-Sports (fica aqui o link com a cena mais memorável das competições dos jogos de luta), e hoje vamos passar por toda a história deles até os dias de hoje, indo do seu surgimento, títulos importantes e a situação atual do gênero perante o mercado.


O Inicio de Tudo

Tudo começou no ano de 1976, com o surgimento do conceito de uma competição um contra um num embate físico, no game Knights in Armor, que trazia as justas medievais para os jogos, em que objetivo era derrubar o adversário de seu cavalo utilizando uma espécie de lança. Porém não demorou muito para essa ideia evoluir para algo mais próximo do que temos hoje, no mesmo ano a SEGA lançou Heavyweight Champ, fazendo os ringues de boxe chegarem aos jogos eletrônicos, mas ainda distante do que se conhece nos dias atuais, os controles do jogo por exemplo eram dados através de uma luva existente nesta maquina de fliperama. 
(Heavyweight Champ,1976)

Os Arcades já estavam se tornando algo muito caro na época, fazendo com que muitas empresas começassem a focar nos jogos para os consoles, com isso a Activision também lançou seu jogo de pugilistas, o Boxing foi lançado em 1980 para o Atari 2600. Nos próximos dois anos vários jogos do gênero saíram para os consoles caseiros e em 1982 mais um jogo para o console da Atari criou uma modificação importante, Karate continha uma variação de ataques a depender da variação da posição da alavanca juntamente com o pressionar do botão do controle, mais tarde em 1984 mais uma característica importante aparece, a defesa de ataques, no game Karate Champ. No ano seguinte temos o primeiro jogo de luta com vários personagens distintos, com movimentos diferentes e habilidades especiais diferentes, este é Yie Ar Kung-Fu feito pela Konami. 
(Yie Ar Kung-Fu,1985)

Ainda em 85 Shanghai Kid, produzido pela Taiyo, trouxe o que seria o embrião dos sistemas de combos que se tornaram um elemento fundamental de qualquer game do estilo, seja através de combos pré programados ou pelo cancelamento de animações por parte do jogador. Por ultimo e não menos importante, empresa japonesa Capcom (se você quiser saber mais sobre a história recente da empresa, clica no link e vai dar uma conferida em outro post especial do blog) lança o primeiro Street Fighter, 1987, em dois formatos diferentes de arcade, um modelo extremamente caro com punch pads, e o modelo mais importante, que vinha com 6 botões de ação, para golpes fracos, médios e fortes divididos entre socos e chutes, esta divisão de botões se torna extremamente famosa e utilizada em muitos títulos do gênero, não só da Capcom.
(Arcade Street Fighter 1, 1987)

O Começo das Grandes Franquias e o Impacto no Mercado 

Com muito aprendido observando o mercado, Capcom decidiu produzir uma continuação para Street Fighter, pois nos anos passados muitas empresas fizeram um game de luta para chamar de seu, assim no inicio da década de 90, no ano de 1991 para ser mais exato, Street Fighter II chega ao mercado com 8 personagens diferentes e carismáticos, jogabilidade foi refinada para que fosse mais fácil executar todos os movimentos especiais de cada um dos lutadores jogáveis, porém esse não foi o único motivo para o sucesso, para os donos dos arcades o jogo era interessante por ser desafiador e por consequência tomando varias fichas dos jogadores, e mais importante que isso, o game trazia um fator replay gigantesco através das partidas jogador versus jogador, os famosos contras.
(Street Fighter 2, 1991)
Sete meses após o lançamento de Street Fighter 2, outra empresa japonesa faz um grande lançamento para o gênero, a SNK trás ao mercado Fatal Fury que trouxe algumas novidades, como a possibilidade de alternar entre os planos do cenário, mas a maior mudança que começava a surgir aqui foi a apresentação de enredos cada vez mais elaborados como pano de fundo para toda a pancadaria, e pra essa maior complexidade de enredo se solidificar, a SNK começava a interligar varias de suas séries de jogos, como Art of Fighting que sairia em 1992, com personagens totalmente diferentes e uma narrativa sem ligação direta, com a exceção de se passarem no mesmo universo. Dois anos mais tarde, em 1994 surge a maior franquia da SNK, The King of Fighters 94 surge como uma forma de juntar todas as franquias importantes da empresa em um só enredo, trazendo novos personagens para centralizar a trama, além de um enredo muito elaborado, KOF se destacou por trazer lutas 3 contra 3 para os jogos de luta.
(The King of Fighters 94, 1994)
Voltando um pouco no tempo, para o ano de 1992, os jogos de luta começam a surgir fora do Japão com o lançamento de Mortal Kombat pela Midway, e as pessoas que encabeçaram o projeto foram Ed Boon e Jhon Tobias inspirados por vários filmes de artes marciais, principalmente o clássico de Jean-Claude Van Damme, O Grande Dragão Branco. Diferente dos games das rivais Capcom e SNK que tinham sprites muito bem feitos, Mortal Kombat tinha um visual extremamente realista para a época, pois usava de atores para fazer capturas de movimento e os jogadores controlavam de fato pessoas que estavam dentro do game. Mortal Kombat ficou marcado não só pela sua qualidade como jogo mas por toda uma polemica em volta da sua violência e brutalidade e como isso poderia influenciar negativamente as crianças, mas como qualquer outra coisa que tentam proibir, isso só ajudou mais ainda como forma de marketing e fez com que o jogo fosse um sucesso maior ainda. Por conta dessa polêmica os EUA criaram em 1994, uma organização que analisa e classifica a faixa etária mais indicada para cada game, a Entretainment Software Rating Board (ESRB).

Neste ponto da história (1994) os três pilares dos jogos de luta já estavam estabelecidos com Street Fighter, Mortal Kombat e a série The King of Fighters. 
(Mortal Kombat, 1992)

Killer Instinct e Jogos 3D

A Rare estava fazendo varias pesquisas usando CGI pré renderizado, e sua maior experiencia com este tipo de sprites, Donkey Kong Country, foi um sucesso absoluto. Com um experimento bem sucedido a empresa britânica se aventurou nos games de luta com Killer Instinct, lançado em 1995, com todos os lutadores tendo modelos pré renderizados, conseguindo uma ótima qualidade com sprites leves, conseguindo assim fazer um game muito mais veloz e com muitos combos pré programados. O game original teve um porte para Super Nintendo e a sua continuação lançada para arcades em 1996 foi portado também para um console da Nintendo, desta vez para o 64.
(Killer Instinct 2, 1996)
Voltando novamente no tempo, em 1993 a SEGA lança o primeiro jogo de luta em 3D, o Virtua Fighter. O titulo trouce a possibilidade de explorar todos os ângulos possíveis da arena, diferente dos seus concorrentes que em maior ou menor nível todos tinham poderes fantasiosos e coisas do tipo, aqui os lutadores emulavam estilos de luta existentes no mundo real. Com os modelos em 3D era dificil dar uma expressividade maior para os personagens, então seus rotos eram feitos com sprites animados, tornando todos eles mais carismáticos e ajudando a criar uma conexão entre os lutadores e os jogadores. Após Virtua Fighter muitos jogos com gráficos e jogabilidade 3D começaram a aparecer, dentre eles os que mais se destacaram foram as franquias Tekken, Dead or Alive, Battle Arena Toshiden e Soul Edge/Soul Calibur. 
(Tekken, 1994)

A nível de curiosidade, a SEGA teve sim um jogo em "3D" ante da série Virtua Fighter, e este titulo se chama Dark Edge, um game de jogabilidade tridimensional mas com gráficos em 2D, feitos totalmente com sprites.
Street Fighter também tentou migrar para os polígonos com a série EX, feita pela Arika, adaptando a série clássica da Capcom para o estilo gráfico 3D, entretanto o resultado foi longe do esperado e mesmo tendo um bom desempenho e conseguindo até um segundo titulo a série não foi para frente e é considerada um spin off
(Dark Edge, 1993)

Voltando aos jogos verdadeiramente 3D, uma unica empresa se repetiu dentro os jogos que se destacaram nesse formato, e esta é a Namco, que encabeça tanto a série Soul (Soul Edge no Japão/Soul Blade nos EUA e Soul Calibur) quanto a franquia Tekken, então vamos falar rapidamente sobre as duas franquias.
Tekken saiu no ano de 1994 para os arcades e depois ganhou um porte para o PlayStation original, sendo o titulo chave para combater a série Virtua Fighter que saiu para o Saturno da SEGA. A principal diferença dos outros games de luta para este é que cada botão do controle representava uma parte do corpo, sendo um para cada mão e um para cada perna, dessa forma os comandos se tornam muito intuitivos e o combate mais fluido.
Já a franquia Soul, se inicia no ano de 1995, trazendo como principal diferencial para os jogos de luta em 3D o combate armado, com espadas e outras armas do tipo. Isso chamou atenção de todos e logo fez um sucesso tremendo nos arcades mundo a fora, porém devido a complexidade de se por armas em um jogo de luta tridimensional os portes sempre foram demorados e com muitos problemas para a empresa durante o trabalho, no fim de tudo o trabalho foi muito bem feito e se saiu muito bem.
(Soul Edge, 1995)

A Queda dos Jogos 2D

Em 1996 os games de luta já estavam com os gráficos estagnados e a evolução era pouca quando se falava em jogos com sprites, até que a Capcom faz o lançamento de sua nova placa de arcades, a CPS3 veio trazendo um poderio gráfico muito grande, parece pequeno mas uma das maiores diferenças foi a possibilidade de reproduzir de forma perfeita os personagens assimétricos, como Sagat que tem o tapa-olho e também Gill, o vilão principal do game, que é metade azul e metade vermelho. O desempenho do game no mundo competitivo é inegável e é lembrado como um dos melhores segundo os jogadores profissionais, em contra partida o publico casual não gostou do game, muitos personagens novos pouco carismáticos e pouquíssimos retornos, a primeira versão do jogo era muito complexa pra quem estava iniciando, assim o titulo conseguiu desagradar tanto os fãs antigos da franquia como também não conseguiu agradar o novo publico, outro ponto negativo é que o jogo não teve porte pra muitas plataformas, chegando apenas ao Dreamcast devido a complexidade e grande qualidade de imagem e som do game. As coisas estavam tão complicadas que nem um grande crossover entre Capcom e SNK conseguiu animar o mercado, que vinha em declínio ferrenho devido a saturação do industria com o gênero.
(Street Fighter III, 1997)

A Volta dos Jogos de Luta e Algumas Coisas Mais

Depois do fracasso do terceiro titulo da franquia Street Fighter, a Capcom deu um passo atras com seus jogos de luta, e começou a observar e estudar o mercado até o dia em que viu o game Battle Fantasia da Ark System Works, que era muito famosa na Asia com as franquias BlazBlue e Guilty Gear, subindo de patamar na questão popularidade com o game Dragon Ball FighterZ. Battle Fantasia era um jogo com modelos em 3D com um estilo artístico cartunesco mas com movimentação 100 % 2D. Após isso vem o lançamento de Street Fighter 4, com animações e traços cartunescos juntamente com um sistema de combate mais balanceado e que conseguiu agradar tanto os jogadores casuais quanto os profissionais.
                        (Street Fighter IV, 2008)

O sucesso de Street Fighter 4 ajudou os jogos de luta a terem os holofotes de novo, com isso muitas franquias voltaram com força, como Mortal Kombat 9, The King of Fighters XIII e Marvel vs Capcom 3, já algumas franquias japonesas e séries de jogos baseado em anime sempre se mantiveram bem, como BlazBlue e Naruto Ultimate Ninja Storm, respectivamente. Além disso os jogos 3D também não tiveram um impacto tão grande e franquias como Dead or Alive, Tekken e Virtua Fighter (esta ultima caiu no esquecimento, mas não por falta de qualidade e sim por culpa da SEGA). Ainda existe uma grata surpresa que começou na geração PS3 e se manteve na geração PS4, que é a franquia Injustice, com heróis e vilões da DC saindo dos quadrinhos e vindo diretamente para os vídeo games.
(Injustice 2, 2017)

Por fim vamos a uma lista de jogos que foram bem mas não foram citados anteriormente:
Série Street Fighter Alpha - 1995 até 1998
Marvel Super Hero 1995
Marvel vs Capcom 1 1998
Marvel vs Capcom 2 2000
Série Samurai Shodown 1993 - 2019
Série Super Smash Bros 1999 - 2018
(Super Smash Bros Ultimate, 2018)

Considerações Finais

Os jogos de luta são responsáveis por trazer muitas pessoas para o mundo dos games, e eles tem uma importância gigantesca para o mercado como um todo, indo da ascensão com a franquia Street Fighter até a queda e muito descontentamento com alguns jogos 3D e o próprio Street Fighter III, mas como dizem quem cai 7 levanta 8, e assim o gênero conseguiu se atualizar para a era mais moderna e teve o retorno de varias franquias e o sucesso voltou a rondar os jogo de luta. O E-Sport também ajudou muito a fomentar o cenário, que apesar de não ser tão grande quanto outros jogos no cenário competitivo, os games de luta tem seu lugar cativo e mantem números consistentes nesse ramo. Se você estava nos anos 90 com toda a certeza uma das franquias citadas aqui faz parte da sua vida!